segunda-feira, 5 de abril de 2010

Capítulo 3


SIMPLES COMO AMOR

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À Flor da Pele

Se antes do beijo Malu estava agindo de maneira puramente instintiva, depois dele qualquer forma de racionalidade se tornou impossível.

Não estava tão bêbada quanto da outra vez, e pôde sentir perfeitamente o gosto do charuto na boca da outra. Estranho e contrário a tudo o que pensava, a sensação apenas aumentou o prazer inebriante que o contato com a boca de Angela proporcionava.

Entreabriu os lábios sem perceber, respondendo a um desejo quase primitivo. Deixando escapar um gemido quando a língua da outra invadiu, buscou e se misturou à dela, possessiva.

Angela também optou por não pensar. Se o fizesse, provavelmente sairia correndo, com medo do turbilhão que um simples beijo era capaz de causar. Deixou-se levar, saboreando a forma ardente com que Malu se esfregou nela inteira, puxando Angela pela nuca, enfiando os dedos nos cabelos dela...

Bastante surpresa, porque na outra sexta-feira, havia achado que aquilo era apenas resultado da bebedeira; mas pelo visto não. Malu estava agindo exatamente do mesmo jeito. E causando o mesmo efeito. Sussurrou, impaciente:

— Vamos sair daqui. Vem.

Sem esperar resposta, foi puxando Malu pela mão. Ela não ofereceu resistência. Deixou-se levar, como da primeira vez. A única diferença, era estar plenamente consciente do que estava fazendo.
Quando chegaram ao carro, um Fusca vinho totalmente reformado e incrementado, Angela abriu a porta para ela. Fechou quando Malu entrou e sentou. Deu a volta, e se acomodou no banco do motorista.
Ficaram se olhando durante alguns momentos. A tensão entre elas evidente.

Malu estava um pouco impressionada. Há muito que não sentia o coração bater daquele jeito. E com certeza, nunca por uma mulher como aquela.

Angela estava assustada, talvez até um pouco apavorada, por não ter conseguido extirpar o desejo que sentia por Malu de primeira, como acontecia todas as vezes.

Pousou a mão na perna dela, perto do joelho. Sentiu Malu se arrepiar inteira. Sorriu, satisfeita, acariciando a coxa quente, subindo a mão por baixo da saia enquanto colava os lábios nos dela.

Ardente, exigente, envolvente. Foi o sabor daquele beijo. Que Malu correspondeu completamente.

A mão de Angela continuou subindo, acariciando o interior das coxas, encostando de leve na calcinha de Malu, fazendo com que ela deixasse escapar um gemido contra a boca que, tantalicamente, a desvendava toda.

Angela também gemeu, quando Malu a apertou com força, as mãos escorregando por debaixo da camisa dela, as pernas se abrindo para ela.

Desceu os lábios pelo pescoço que se oferecia, fazendo Malu gemer. Mais ainda, quando os dedos de Angela escorregaram por dentro da calcinha e a tocaram intimamente, se deliciando com a umidade inegável, muito mais do que evidente.

Poderia resolver aquilo ali mesmo, rápida e facilmente. Malu estava toda entregue, suspirando, suplicando, querendo... Mas Angela sabia perfeitamente que aquele desejo irresistível que Malu exalava era como um vinho envenenado. Precisava de tempo para o antídoto ser ministrado. Para o feitiço ser quebrado. Mais uma noite bastava. Isso era o que esperava. O que dizia para si mesma.

Malu protestou quando Angela parou o que estava fazendo. Depois levou a mão de Angela à boca e chupou despudoradamente cada dedo. Só não levando Angela à loucura, porque isso não acontecia facilmente.

Colando a boca no ouvido de Malu, Angela sussurrou:

— O que vai ser?

Malu prontamente respondeu:

— O mesmo motel, o mesmo quarto, tudo exatamente igual à última vez...

E esfregou o rosto no dela, a boca descendo, percorrendo os pontos sensíveis do pescoço de Angela, fazendo-a gemer.

— Isso é um fetiche, ou o quê? — Angela perguntou.

Sem parar o que estava fazendo, mordiscando a nuca de Angela entre uma palavra e outra, Malu respondeu. A voz doce, derretida, arquejante:

— É que... Eu tava... Muito bêbada... E não... Não me lembro... Direito...

O que a arrepiou mais, se as palavras de Malu, ou o jeito que ela falou, Angela não soube dizer. Segurou-a pela nuca, e a beijou novamente. As línguas se reencontraram num duelo de desejos. A outra mão de Angela desceu inconscientemente pelo corpo de Malu, parando nos seios. As bocas se separaram, apenas para que Angela dissesse:

— Quer lembrar como foi? Foi por isso que ficou atrás de mim a noite inteira?

Sem desgrudar os lábios dos dela, Malu respondeu, um sussurro apenas:

— Não...

A boca de Angela desceu, explorando o queixo de Malu, até chegar na orelha, e sussurrou, antes de voltar a beijar o pescoço dela de forma intensa:

— Então, por quê?

Quando Malu respondeu, foi gemendo, de forma absolutamente verdadeira:

— Porque... Tem alguma coisa na sua pele... No seu toque... No seu cheiro... Que me faz querer você...

O percurso no carro foi em silêncio. Com uma pressa gritante. Angela sendo obrigada a pedir que Malu a soltasse, tirasse as mãos do corpo dela, antes que causasse um acidente...

Entraram no quarto de motel com as bocas e corpos colados, se devorando. Malu se lembrando que da outra vez tinha sido a mesma coisa. Esse pulsar incessante e sem tréguas onde cada instante continha um prazer de séculos.

Angela a empurrou para a cama, e se deitou em cima de Malu. As mãos percorrendo o corpo dela incansavelmente ainda por cima das roupas. Uma excitação delirante tomando conta dela à medida que os suspiros, gemidos e movimentos de Malu iam aumentando e se descontrolando debaixo dela...

A reação de ambas as surpreendendo, porque... Era como...  Sexo adolescente. Um desespero alvoroçado, desconcertante, sufocante, ardente... Tão completamente intenso que com o simples roçar dos corpos ainda totalmente vestidos, as duas já estavam quase...

Malu a puxou, com um desejo insano. Cobiçando, querendo, precisando... A língua não tendo como se fundir mais profundamente à dela. Apertou Angela com força, o roçar do jeans nas coxas nuas a enlouquecendo. Esforçando-se para não gozar rápido, naquele momento.

Foi quando Angela subiu o vestido dela, beijando cada milímetro de pele que descobria. Tirou a calcinha de Malu, deixando-a completamente nua. Ficou ali de quatro em cima dela, admirando o corpo queimado de sol, curvilíneo, visivelmente trabalhado, de músculos bem definidos. Umedecendo inconscientemente os lábios ao fitar os seios bem feitos, lindos, antes de mergulhar a boca neles.

A forma como Angela gemeu ao lamber, sugar e chupar os seios dela — demoradamente, com um prazer enorme, evidente — fez Malu ser tomada por uma súbita e inadiável impaciência. Arrancou a camisa, abriu e abaixou o jeans e a calcinha da outra até abaixo dos joelhos rapidamente.

Angela ajudou, se apoiando nas mãos, e depois fazendo o resto. Livrando-se das calças com as pernas e depois as chutando para o chão. E finalmente, se deitando sobre Malu, os corpos inteiramente nus parecendo entrar em combustão.

As bocas voltaram a se encontrar. Malu acariciou as costas de Angela, os dedos se enfiando na pele, puxando-a com força, como se quisesse se fundir com ela. Angela gemeu alto, e desceu a mão de uma forma absolutamente urgente até encontrar o ponto que procurava.

Malu gemeu, se contorceu e se rendeu aos dedos que a acariciavam, não podendo nem querendo adiar mais a satisfação.

Angela sussurrava com uma voz abusivamente rouca no ouvido dela, aumentando a excitação do momento. Palavras que faziam Malu se arrepiar inteira e ordens que ela prontamente obedeceu.

Ergueu um pouco a perna, para facilitar o contato com o sexo que se esfregava nela. Mexeu os quadris, tornando os movimentos e a voz de Angela ainda mais ardentes. E explodiu num gozo longo e intenso, sentindo Angela  acompanhando-a, estremecendo e gemendo junto com ela.

Ficaram se recuperando, o rosto de Angela nos cabelos de Malu, os dedos de Malu enfiados na nuca de Angela, descendo pela coluna dela, causando arrepios na pele ainda quente.

Então, a boca de Angela já estava no pescoço de Malu, fazendo que nas veias das duas voltasse a correr fogo líquido.

Percorrendo o colo, parando nos seios, despertando um desejo tão grande que não parecia que haviam acabado de gozar a instantes apenas, a boca de Angela continuou descendo. Passando rapidamente pela barriga e ventre, abrindo e percorrendo as pernas de Malu, e se deliciando com a forma como as coxas se ofereceram absolutamente suplicantes e ardentes.

Malu enfiou os dedos nos cabelos curtinhos, puxando, direcionando Angela para o meio das pernas dela.

Angela não ofereceu resistência. Passou a língua devagar, querendo aproveitar, saborear mesmo. Fazendo Malu gemer, e sussurrar, pedindo:

— Assim... Não pára... Desse jeito...

De uma forma tão intensa, que Angela sorriu, satisfeita. Intensificou os movimentos da língua. Aprofundou, percorreu, explorou o sexo de Malu inteiro.

Os dedos de Malu se afrouxaram por um breve momento, para acariciarem os cabelos de Angela no mesmo ritmo da boca que a devorava vorazmente. Para logo depois, voltarem a puxar os cabelos curtinhos com força, dizendo:

— Vou gozar pra você...

Angela estremeceu... E intensificou o toque, se deleitando com os gemidos cada vez mais desesperados que Malu deixava escapar.

Aumentou o ritmo, provocando tremores incontroláveis, fazendo Malu gritar alto, várias vezes, dando vazão à total satisfação do desejo...

Não aguentou, o corpo involuntariamente roçando no colchão, explodindo em total sintonia com o delicioso orgasmo de Malu. Os próprios gemidos abafados no sexo dela, a boca e a língua continuando a se movimentar contra ele sem pena. Continuou lambendo, chupando, sugando até Malu a empurrar, se contorcendo e fechando as pernas.

Não a deixou tomar fôlego. Abraçou e beijou Malu, deixando claro que queria mais. Fazendo com que ela se lembrasse o porquê do corpo todo dolorido da outra vez. Angela parecia nunca ficar satisfeita...

Correspondeu com o mesmo ardor, o mesmo desejo, deixando Angela ainda mais empolgada. Fazendo-a sussurrar no ouvido de Malu o que queria de uma forma deliciosamente irrecusável.

De um jeito que Malu desconhecia, totalmente diferente de tudo o que normalmente fazia, nem discutiu. Ajoelhou na cama, e ficou de costas para ela.

Angela a abraçou por trás, colando o corpo no dela, a mão esquerda acariciando os seios de Malu, enquanto a outra se enfiava entre as pernas.

Um gemido involuntário escapou dos lábios dela quando sentiu que os dedos de Angela a penetravam. Primeiro um, depois o outro. Peritos, suaves, com total habilidade. Aos poucos aumentando os movimentos, enquanto chupava e mordiscava a nuca de Malu por trás.

Esfregando, comprimindo o corpo contra o dela, voltando a falar no ouvido de Malu, e levando-a a píncaros insuportáveis e desconhecidos de prazer. Fazendo com que Malu gozasse novamente com uma facilidade vergonhosa e surpreendente.

E depois, sem tirar os dedos, fazendo Malu ficar de quatro, e recomeçando tudo outra vez.

Sentir Angela se esfregando contra as nádegas dela, gemendo, estimulando-a com palavras e com os dedos, fez com que, mais uma vez, Malu não pudesse nem quisesse se conter. Quase sem respirar, só o que pôde fazer foi acompanhar, gemer baixinho, e se entregar incondicionalmente. Até voltarem a gozar juntas. Gemendo alto, tremulando e murmurando palavras e frases que seriam.... Absolutamente censuráveis fora do quarto.

Malu se jogou na cama de bruços, exausta, mas absolutamente feliz e saciada. Demorou um tempo para recuperar as forças e abrir os olhos.

Quando o fez, Angela estava sentada do lado dela, fumando um charuto, usando uma calcinha que — só então Malu pôde reparar — era mais uma cueca, e olhando displicentemente para o nada.
Ficou sem saber o que dizer. Muito menos o que fazer. Continuou deitada, quieta, e aproveitou para observar melhor a mulher que tinha tanto poder sobre o corpo dela.

Os cabelos castanhos escuros curtinhos, cortados de uma forma totalmente irregular, assimétrica, e arrepiados com gel. O corpo magro, de seios pequenos, quase andrógino. Uma munhequeira de couro preta no pulso esquerdo. Tatuada na parte exterior do braço esquerdo, perto do ombro, uma cruz Ansata preta, com contorno branco e uma linha preta fina de acabamento, de meio palmo mais ou menos. E na parte interna do braço direito, um escaravelho, também preto.

Angela se virou, para bater a cinza do charuto no cinzeiro na mesinha de cabeceira, e então Malu pode ter uma total visão da terceira tatoo dela: um olho de Horus do tamanho de um punho entre as omoplatas. Ou seja: ela gostava de símbolos, principalmente egípcios, pelo jeito...

Depois de demorar um tempo excessivamente grande virada de costas para Malu — tempo que precisou para pensar em como acabar com o silêncio desconfortável que se estabeleceu — Angela acabou apagando o charuto antes de voltar a olhar para ela, tentando quebrar o gelo:

— E então? Refresquei sua memória?

E como Malu a olhasse parecendo não estar entendendo direito:

— Lembrou do que aconteceu na sexta passada?

Malu esperava por tudo, menos que ela falasse aquilo. Não teve como deixar de rir. E abaixar a cabeça, um pouco envergonhada.

Com um sorriso satisfeito, Angela se levantou, foi até o frigobar, pegou uma cerveja e uma Smirnoff Ice, e voltou para a cama.

O sorriso que Malu deu quando agradeceu não foi só pela gentileza, mas também, porque... Se Angela sabia o que ela estava bebendo no balcão, de uma forma ou de outra, tinha prestado atenção. Não teve como não perguntar:

— Por que você fingiu que não me conhecia?

Angela a olhou, muito surpresa. Não esperava aquele tipo de questionamento. Muito menos a reação que teve. Não se irritou, pelo contrário, sentiu uma inexplicável vontade de esclarecer.

Deu um gole na cerveja, tomando coragem, e respondeu com sinceridade:

— Pensei que você não quisesse falar comigo. Afinal de contas, naquele dia você saiu... Como eu posso dizer... Fugida?

Malu a olhou, bastante sem graça:

— Desculpe, eu... Bom, eu acordei sem me lembrar de nada, sem saber onde estava, e... Achei melhor... Você ficou chateada?

A primeira resposta de Angela foi uma risada. A segunda saiu sem querer, como se falasse alto:

— Chateada, eu? Fiquei até aliviada.

Ao ver a reação de Malu, ficou um pouco sem jeito:

— Desculpe, eu... Não é que não tenha sido bom. Mas é que... Você tava trêbada, né? A manhã seguinte ia ser no mínimo desconfortável...

Mas não teve coragem de dizer que na verdade, Malu tinha feito o que ela sempre fazia com todas com quem transava. Que teria sido ela a ir embora, se Malu não tivesse acordado primeiro.

Beberam e conversaram. Coisas superficiais. Nada sobre elas. Parando para rir de vez em quando. A atração que existia inquestionável, indisfarçável, vibrando.

Até que Angela se levantou, e foi para o banheiro, dizendo que ia tomar um banho. Malu continuou deitada, tentando entender o que estava sentindo, sem resultado.

Ouviu o barulho da água, imaginou Angela nua, os cabelos e a pele molhados debaixo do chuveiro... Foi o que bastou para o corpo inteiro se arrepiar com uma nova pontada de desejo.

Num impulso irreprimível, pouco ligando como, porque e qual seria o resultado, deixou que o instinto mais uma vez a guiasse. Foi até o banheiro, abriu o box, e entrou no chuveiro, deixando Angela absolutamente surpresa, rendida e deliciada, quando depois de um beijo possessivo, intenso, derradeiro, se ajoelhou e mergulhou a boca entre as pernas dela com a mais sincera voracidade.



SIMPLES COMO AMOR

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